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Professor de Libras conquista espaços em um mundo de ouvintes

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Em um mundo dominado pela comunicação oral, conseguir se fazer “escutar” por meio de sinais é uma façanha árdua. Conquistar espaço no mercado de trabalho e reconhecimento é ainda mais difícil. O professor de Libras Douglas Komar Silva, 24 anos, conseguiu superar as várias barreiras impostas por uma sociedade de ouvintes e ter seu trabalho reconhecido e respeitado. Mas garante que esta não é uma tarefa fácil para os deficientes auditivos ou surdos. “Muitos pensam que surdos e deficientes auditivos não são capazes de trabalhar, principalmente quando o assunto é comunicação”, afirma.

Silva afirma que as instituições, empresas e o mercado de trabalho sabem sobre as questões relacionadas à acessibilidade que deveriam cumprir. “Mas ainda não têm conhecimentos na área de surdez, por exemplo, não sabem como tratar os surdos, desconhecem as formas de se comunicar e a língua que utilizamos”, aponta.

Foi justamente entendendo essa carência nas organizações de modo geral, que ele abriu mão do sonho de trabalhar na área de tecnologia – na qual tem formação superior – para atuar como professor de Libras (Língua Brasileira de Sinais). “Foi no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES) que me incentivaram a ser professor”, conta.

Ele, que nasceu ouvinte e perdeu a audição quando tinha apenas um ano e quatro meses, após ser diagnosticado com meningite, afirma que no Brasil o desconhecimento sobre as formas de se comunicar com um deficiente auditivo limita muito a vida dessas pessoas. “Quando uma pessoa surda vai a uma farmácia ou ao hospital, por exemplo, se não souber escrever, poderá ter problemas sérios, como receber o medicamento errado ou ser diagnosticado incorretamente por falta de comunicação adequada”, comenta.

Essa necessidade vem sendo percebida pelas empresas, que cada vez mais têm buscado os serviços de professores de Libras como ele. Atualmente, além de atuar como docente na Universidade do Norte do Paraná (UENP), ele ensina Libras para funcionários de algumas empresas, como é o caso da Unimed Londrina. “Está sendo uma experiência excelente”, afirma.

Silva, que tem a Libras como sua primeira língua e o português como segunda, também lê e escreve em inglês, e está se formando em tradutor/intérprete de SI (Sinais Internacionais). Ele explica que Libras é uma língua visual-gestual, articulada através das mãos, expressões faciais e corporais. “É composta por elementos de níveis estruturais, morfológicos, semânticos, fonológicos e sintáticos. É reconhecida como língua e não como linguagem. Porém, ela não é universal, cada país possui sua própria língua de sinais”, afirma.

Ele explica que existe também a Língua Gestual Internacional (Gestuno), que é usada em conferências internacionais ou, informalmente, em viagens. “Mas não é considerada uma língua, pois não possui uma gramática”, diz. No ano que vem, em julho, Silva irá aprofundar seus conhecimentos na área, ao participar do 18º Congresso Mundial da Federação Mundial dos Surdos, que será realizado em Paris, França.