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Determinação

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Uma história de luta e determinação contra o câncer

Determinação

Dia mundial de combate à doença é comemorado em abril

“É preciso encarar a doença, chorar quando for necessário, mas nunca desistir do tratamento.” A receita é da consultora Ariesli Zerbinati Castanho Lopes, 33, que há três anos se encontra em remissão de um linfoma que a deixou algumas semanas na UTI.

Ela fez quimioterapia pelo período de um ano. As duas primeiras medicações usadas, apesar de muito efeito colateral, não alteraram o quadro da doença. No terceiro tratamento, Ariesli sentia fortes dores pelo corpo e precisou ser internada. Ao todo, foram dois meses no hospital.

“No dia em que fiz o pet scan para ver se estava curada, os médicos descobriram que eu tinha derrame cardíaco, pericardite e pneumonia. Entrei em choque séptico. Fiquei os primeiros 14 dias inconsciente na UTI”, conta. Somente quando acordou é que soube do resultado do exame. “O médico veio me dizer que estava curada do câncer. Recebi a notícia ainda entubada. Foi uma alegria só”, recorda.

Mas o sofrimento de Ariesli não terminou ali. Ela precisou fazer uma cirurgia cardíaca, perdeu muito sangue e voltou à UTI. “Passei mais quatro dias entre a vida e a morte. É por Deus que estou hoje aqui falando com você”, disse a jovem à reportagem.

Embora atribua sua cura a Deus e a Nossa Senhora, ela reforça a importância dos médicos no tratamento. “Eles se empenharam muito para não me deixar morrer. Diziam que, tendo eu vencido o câncer, não poderia morrer de outra coisa. Mas eles mesmos disseram que Deus me deu uma segunda chance”, declara.

Apesar de todo o sofrimento, ela procurava se agarrar às coisas boas. “Eu me divertia ao andar com cadeira de rodas no hospital. Não tinha cabelos, mas brincava com os lenços. Quando olhava no espelho e me sentia a pessoa mais feia do mundo, me maquiava. Se eu só conseguia comer batata frita, tentava fazer isso com prazer.” Questionada sobre o que diria para quem está enfrentando a doença neste momento, ela responde: “Diria para nunca desistir. Inúmeras vezes, a gente pensa em desistir, mas tem de continuar lutando, porque lutando a gente consegue”.

A vida de Ariesli atualmente vai de vento em popa. Um ano e três meses depois da última quimioterapia, ela soube que estava grávida. “Não estava na programação. Eu nem poderia engravidar naquela época, mas foi um presente lindo de Deus”, avalia ela, que é mãe de uma menina.

Abril é considerado o Mês de Combate ao Câncer. Carregada de estigmas, a doença afeta cada dia mais gente. Estima-se que mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com algum tipo de câncer anualmente em todo o mundo. O oncologista Bruno Pozzi, cooperado da Unimed Londrina, explica que há tumores que ocorrem por determinação genética, que não podem ser evitados. Mas que, por outro lado, uma parcela importante dos casos está relacionada ao estilo de vida das pessoas. “A maior parte dos cânceres de pulmão você consegue evitar não fumando. Da mesma forma, tumores de cabeça, pescoço, esôfago e bexiga podem ser prevenidos evitando o cigarro.”

Obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo são fatores que predispõem à doença, segundo o médico. “Também é possível evitar câncer de útero, vacinando as meninas contra HPV”, explica. Há muitos sintomas, de acordo com o oncologista, que podem sinalizar a presença da doença. Mas os mesmos sintomas podem estar relacionados a várias outras patologias. Por isso, não deve haver alarmismo. “Uma perda de peso sem explicação, uma tosse duradoura, um sangramento na urina ou nas fezes, dores que não melhoram devem ser investigados”, diz o médico.

Ele lembra que o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia. E a abordagem precisa ser multidisciplinar. Além disso, Pozzi ressalta que o suporte emocional dado pela família e amigos é fundamental durante o tratamento. “Pacientes que têm uma base forte de amigos, família ou religião conseguem encarar melhor o câncer e o tratamento”, garante o oncologista.