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A força do cinema londrinense

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O jovem Rodrigo Grota prova que é possível fazer filmes de qualidade no interior

Com 38 anos, o jornalista Rodrigo Grota já dirigiu 13 filmes, uma série de TV e conquistou mais de 60 prêmios dentro e fora do País. Nascido em Marília (SP), ele veio para Londrina estudar Jornalismo na UEL. E, junto com amigos que fundaram o Instituto Kinoarte em 2003, provou que é possível fazer cinema no interior do País.

O interesse de Grota pelos filmes começou na adolescência. “Tinha 15 anos, era fã dos Beatles e fui ao Cine Clube de Marília assistir a um ciclo sobre a banda. Comecei a frequentar o local onde passei a ver filmes antigos, em preto e branco, filmes estranhos, que não teria descoberto sozinho”, conta. Logo, o jovem se descobriu completamente apaixonado pela arte. Ainda adolescente, fez seus primeiros roteiros.

Ele chegou a Londrina em 1997. Antes de participar do Kinoarte, que presidiu por dez anos, acompanhou o nascimento da Mostra de Cinema da cidade em 1999, evento que teve sua 19ª edição no ano passado. Em 2004, dirigiu seu primeiro curta: Londrina em Três Movimentos, com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. “Estava andando pelas ruas de madrugada, quando comecei a pensar em uma cidade totalmente imaginária”, conta. O filme, que foi rodado sem atores, ganhou trilha sonora do cantor e compositor londrinense Arrigo Barnabé. E foi vencedor da categoria melhor direção da Mostra de Curtas de Goiânia.

Em 2007, Grota dirigiu Satori Uso, baseado na obra do poeta londrinense Rodrigo Garcia. O curta foi um sucesso. Recebeu vários prêmios, entre eles o de melhor filme pela crítica e melhor fotografia pelo júri oficial do Festival de Cinema de Gramado (RS). Venceu como melhor filme em festivais de Santa Catarina, Mato Grosso e Bahia. E recebeu menção honrosa no 14th International Short Film Festival in Drama, na Grécia.

No ano seguinte, só em Gramado, outro curta de Grota, o Booker Pittman, levou os seguintes prêmios: melhor filme (prêmio da crítica), prêmio especial do júri, prêmio aquisição do Canal Brasil, melhor direção de arte (para José de Aguiar). E venceu também como melhor filme (júri popular) no 5º Festival Cinema de Arte de Salvador.

Satori Uso e Booker Pittman fazem parte de uma trilogia, a Trilogia do Esquecimento, completada em 2010 com Haruo Ohara, curta que acabou sendo ainda mais premiado. Foi melhor filme (júri oficial), melhor filme (júri estudantil), melhor direção, melhor fotografia (para Carlos Ebert) e, de novo, prêmio de aquisição do Canal Brasil. Tudo isso em Gramado. No total, foram 25 prêmios. “Esse filme foi exibido em vários lugares do Brasil e no exterior”, conta o diretor.

Depois de reconhecido como diretor de curtas, estava na hora do cineasta dar um novo passo. Em 2014, Grota rodou seu primeiro longa-metragem, o Leste-Oeste. O filme rodado em Londrina conta a história de um ex-piloto, que volta a sua cidade natal após 15 anos para disputar uma última corrida. “Exibimos o filme em Recife em 2016. Os críticos ficaram admirados por termos produzido um longa no interior”, lembra. Leste-Oeste já coleciona oito prêmios, sendo três no exterior: nos EUA, Holanda e México.

Hoje, ele tem sua própria produtora, a Knopus, junto com o sócio Guilherme Peraro. No ano passado, Grota rodou seu maior projeto. “Fizemos a série Super Família, que mostra as novas configurações familiares sob a ótica das crianças.” A série venceu edital do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e será exibida em TVs públicas e comunitárias. “São 26 episódios e um orçamento de R$ 1,7 milhão”, conta.

Atualmente, Grota e o sócio estão tocando sete projetos. Um deles está em fase final. É um documentário sobre o assalto a uma agência do Banestado, ocorrido em 1987 em Londrina, quando 300 pessoas ficaram reféns de bandidos por sete horas. “Também conseguimos aprovar o desenvolvimento do roteiro para uma versão ficcional do assalto”, conta.

O diretor acaba de rodar um curta, o Pequenos Delitos, e vai fazer um longa chamado Passagem Secreta, para o público infantil. “Vamos fazer também uma série para TV sobre a ciência brasileira. São cinco episódios.”

Segundo Grota, uma das bandeiras dos jovens que fazem filmes na cidade é a implantação do curso de Cinema na UEL. “Já está aprovado pela universidade, falta o governo liberar. Quando isso acontecer, Londrina vai se consolidar como um grande centro do audiovisual”, garante.

Clique aqui para visitar o site do cineasta.