“Todo domingo à noite eu pensava: ‘Amanhã, segunda, né? Podia parar de fumar’. Mas chegava na segunda, continuava fumando”, conta um dos participantes do Programa de Cessação do Tabagismo da Unimed Londrina.
O relato traduz o que pode acontecer durante anos na vida de quem tenta abandonar o cigarro. A vontade existe, mas a decisão nem sempre se transforma em mudança.
Para alguns, o momento de agir chega depois de um susto. “Foi só no ano passado, depois do primeiro infarto, que eu comecei a ficar com medo. Comecei a participar do grupo e mesmo depois que eu parei de fumar ainda tive mais dois infartos e uma parada respiratória”, relata um dos participantes. Segundo ele, esses problemas são decorrentes das sequelas acumuladas ao longo de décadas de tabagismo. “Eu carrego as consequências até hoje, porque não foi um ano fumando, foram cinquenta”, completa.
É nesse processo, entre a decisão de parar e a construção de uma nova rotina, que atua o programa. O acompanhamento é oferecido aos beneficiários que desejam abandonar o cigarro e conta com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, assistente social, enfermeiro e nutricionista. Entre 2024 e 2025, o programa acompanhou 130 participantes, dos quais 29 confirmaram a cessação do tabagismo, o que corresponde a uma taxa de 22,3% no período.
Segundo a assistente social e coordenadora do programa, Viviane Cristina Pereira de Souza, o trabalho considera a realidade de cada participante. “Não existe uma fórmula única para parar de fumar. Precisamos entender a história de cada pessoa, identificar as situações que estão relacionadas ao consumo do cigarro e, a partir disso, trabalhar estratégias que façam sentido para ela”, explica.
Um dos participantes relata que a dimensão do hábito ficou evidente em momentos que deveriam ser dedicados à família. “Teve o aniversário da minha filha. Enquanto todo mundo estava tirando foto, eu estava fumando. Ela também estava aprendendo a falar e, quando vinha conversar comigo, eu dizia: ‘Filha, dá licença, o pai está fumando’. Hoje percebo quantos momentos eu perdi por causa do cigarro”, conta.
Viviane afirma que reconhecer essas interferências pode contribuir para a mudança. “Quando a pessoa começa a identificar o espaço que o cigarro ocupa na vida dela, também começa a perceber o que gostaria de recuperar. Muitas vezes, esse reconhecimento se torna uma motivação importante para continuar o processo”, destaca.
Nem sempre, porém, o último cigarro é realmente o último na primeira tentativa. “A recaída não significa que todo o processo foi perdido. É preciso olhar para o que aconteceu, identificar os fatores que levaram ao retorno do cigarro e utilizar essa experiência para fortalecer a próxima tentativa”, explica a coordenadora.
O programa oferece um acompanhamento prolongado aos clientes. O tratamento completo tem duração de 12 meses. Na primeira fase, os encontros acontecem uma vez por semana, durante três meses, em três opções de horário: às terças-feiras, às 18h30; às quintas-feiras, às 11h30; e às sextas-feiras, às 9h. A Cooperativa disponibiliza gratuitamente a medicação indicada pelo médico.
Para os cooperados, o programa também representa uma possibilidade de cuidado que pode ser apresentada aos beneficiários durante o atendimento. “Muitas vezes, o paciente já chega à consulta dizendo que quer parar, mas não sabe como ou já tentou outras vezes. Nesse momento, o médico pode orientar e mostrar que existe um serviço preparado para acompanhá-lo nesse processo”, destaca Viviane.
O beneficiário que tiver interesse em participar pode procurar a Unimed Londrina espontaneamente ou ser encaminhado por escrito pelo médico cooperado. Após a inscrição, o paciente passa por uma avaliação inicial, realizada por uma psicóloga ou enfermeira, que dará início ao acompanhamento.
As inscrições podem ser realizadas diretamente pelo site da Unimed Londrina ou pelo telefone (43) 3375-6016, para agendamento da avaliação inicial.
Um dos participantes resume a própria experiência em uma frase: “Nenhum ser humano precisa ver a morte de perto para tomar uma atitude”, afirma.
Quer conhecer as histórias desta matéria por inteiro? Assista ao vídeo e veja as experiências completas de quem passou pelo programa clicando aqui.
